Plano, Cor, Linha, Espaço

Arte concreta: direta e objetiva





"Escultura em amarelo"


Esta sou eu com minha "Escultura em amarelo", planejada e executada com pinceladas largas de amarelo sobre duas placas de compensado - dois quadrados de 40 cm, cada. A produção se dava à sombra da frondosa castanholeira, matriarcalmente acolhedora, fixada no centro do pátio interno da minha faculdade de Artes em Fortaleza, num desses dias de sol  pleno.

Havia o compensado e a proposta desafiadora do professor: Crie! Também haviam quatro aliados, a quem poderíamos recorrer: galões de tinta em vermelho, amarelo, azul e verde. O amarelo não foi escolha minha mas muito me ensinou sobre escultura e sobre a arte concreta naquele dia. 

Eu havia pensado inicialmente em uma peça em vermelho, o que remeteria o espectador á icônica obra de Tomie Ohtake, acrescentaria referências ao meu trabalho e o inseriria potencialmente, conforme julgava, no rol da escultura concreta brasileira. 

Enquanto eu planejava minha escultura e o seu diálogo com o espaço, a luz e as sombras do pátio,  meus colegas foram esvaziando os galões coloridos. Restou o amarelo pra mim. E só alguns semestres depois, estudando Van Gogh e sua produção em Arles (quando surge o amarelo dos girassóis na pintura do genial Vincent) é que fui entender a força e a semiótica do amarelo.

Nada é por acaso. Não fosse o zelo com minha produção eu teria realizado mais uma releitura de Tomie Ohtake e minha própria experiência com o plano, a cor, a linha e seu diálogo com o espaço, teria sido relevada a um punhado de horas gastas com a pintura de duas pequenas placas de compensado.
 
O Amarelo e sua essência. Amo você, Vincent Van Gogh! 
(AS)

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